O setor de saúde suplementar fechou 2025 com 53,2 milhões de vínculos em planos médicos, segundo a ANS. Mas o número total é só parte da história: o dado mais revelador está na composição desse mercado — e na quantidade de gente que trocou de plano ao longo do ano. Entenda o que os números dizem sobre o setor e sobre a sua próxima decisão.
Os números da ANS em dezembro de 2025
De acordo com os dados enviados pelas operadoras à Agência Nacional de Saúde Suplementar, os planos de assistência médica alcançaram 53.180.646 vínculos em dezembro de 2025. Os planos exclusivamente odontológicos somaram outros 35,58 milhões.
| Indicador (dez/2025) | Número |
|---|---|
| Vínculos em assistência médica | 53,18 milhões |
| Vínculos em odontológico exclusivo | 35,58 milhões |
| Crescimento sobre dez/2024 | +1,9% (cerca de 1,17 milhão) |
| Novas adesões só em dezembro | 1.125.229 |
| Cancelamentos só em dezembro | 1.045.114 |
Vale entender: a ANS contabiliza vínculos, não pessoas. Uma mesma pessoa pode ter mais de um plano — por exemplo, um médico-hospitalar pela empresa e um odontológico contratado à parte. Por isso o número de brasileiros com plano é menor que 53,2 milhões.
A composição do mercado: o coletivo domina
Aqui está o ponto que mais afeta quem procura um plano hoje. A divisão por tipo de contratação mostra um mercado fortemente concentrado no coletivo:
| Tipo de contratação | Vínculos | Participação |
|---|---|---|
| Coletivo empresarial | 38,3 milhões | cerca de 72% |
| Individual ou familiar | 8,5 milhões | cerca de 16% |
| Coletivo por adesão | 5,3 milhões | cerca de 10% |
Somando empresarial e adesão, os planos coletivos respondem por mais de 80% do mercado. O plano individual, que muita gente considera a opção "natural", é hoje minoria — pouco mais de um em cada seis vínculos.
Existe uma razão regulatória para isso. Nos planos individuais, o reajuste anual é limitado por um teto definido pela ANS. Nos coletivos, o reajuste é negociado entre a operadora e a empresa ou entidade contratante. Como resultado, muitas operadoras reduziram a oferta de planos individuais ao longo dos anos e concentraram seus produtos no coletivo.
Na prática, isso significa que quem tem CNPJ — inclusive MEI e pequenas empresas — costuma encontrar preços por vida mais competitivos do que na contratação individual. É um caminho que boa parte das pessoas simplesmente não sabe que existe.
O dado que quase ninguém comenta: a rotatividade
Se o crescimento anual foi de 1,9%, a movimentação por trás dele foi muito maior. No acumulado de 12 meses, a ANS registrou 15,68 milhões de adesões e 14,51 milhões de cancelamentos — uma taxa de rotatividade de 27,90%.
Traduzindo: mais de um em cada quatro vínculos foi substituído em um ano. Gente que trocou de emprego e perdeu a cobertura, gente que migrou de operadora, gente que saiu de um plano caro e entrou em outro mais adequado.
Esse é o número mais útil para quem está decidindo agora, porque revela algo simples: escolher um plano de saúde não é uma decisão única na vida. Ela reaparece com frequência — na troca de trabalho, na abertura de um CNPJ, na chegada de um reajuste que não caberia mais no orçamento.
Crescimento não é o mesmo que satisfação
Um contraponto importante veio da própria agência reguladora. Ao comentar os dados, o diretor-presidente da ANS observou que o setor manteve estabilidade no número de beneficiários nos últimos cinco anos, mas ressaltou que as reclamações dos consumidores têm aumentado de forma significativa.
Ou seja: o mercado cresce, mas a experiência de quem usa o plano não melhorou na mesma proporção. Rede credenciada, prazos de autorização, negativas de cobertura e reajustes continuam entre as principais dores — e são justamente os pontos que passam despercebidos quando a escolha é feita só pelo preço da mensalidade.
O que fazer com essa informação
Os números da ANS desenham um cenário bem concreto para quem vai contratar ou trocar de plano:
- Se você tem ou pode abrir um CNPJ, vale comparar o empresarial antes do individual. Com poucas vidas — em muitos casos duas — já é possível acessar condições de plano coletivo.
- Se você está saindo de um emprego, conheça seus prazos. Existem regras de permanência no plano da empresa e de portabilidade de carências que evitam começar tudo de novo.
- Se você recebeu um reajuste alto, compare antes de aceitar. Com 27,9% de rotatividade no setor, trocar de plano é mais comum do que parece — e a portabilidade pode preservar as carências já cumpridas.
- Olhe além da mensalidade. Rede credenciada na sua região, laboratórios, tipo de acomodação e coparticipação mudam completamente o custo real do plano ao longo do ano.
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Fazer minha cotação agoraPerguntas frequentes
Os 53,2 milhões são pessoas ou contratos?
São vínculos. A própria ANS destaca que uma pessoa pode ter mais de um plano ao mesmo tempo, então o número de brasileiros cobertos é menor que o total de vínculos registrados.
Por que é tão difícil achar plano individual?
Porque o reajuste dos planos individuais é limitado por um teto anual definido pela ANS, enquanto nos coletivos ele é negociado livremente. Isso levou muitas operadoras a reduzir a oferta de produtos individuais e concentrar o portfólio no coletivo — que hoje representa mais de 80% do mercado.
MEI pode contratar plano empresarial?
Sim. Com CNPJ ativo é possível contratar planos na modalidade empresarial. As regras de quantidade mínima de vidas variam por operadora, e em muitos casos duas vidas já são suficientes para começar.
Trocar de plano faz perder as carências já cumpridas?
Não necessariamente. A portabilidade de carências permite migrar para outro plano compatível sem cumprir novos prazos, desde que atendidos os requisitos da ANS, como tempo mínimo no plano atual e compatibilidade de cobertura e faixa de preço.
Conclusão
Os 53,2 milhões de vínculos mostram um setor que segue crescendo, mas o retrato completo é mais interessante que o número redondo: o mercado está concentrado no coletivo, o plano individual virou minoria e mais de um quarto dos vínculos muda de mãos a cada ano.
Para o consumidor, a leitura prática é que existe muito mais espaço de escolha do que parece — e que essa escolha se repete ao longo da vida. Comparar antes de contratar, ou antes de aceitar um reajuste, é o que separa quem paga o preço justo de quem paga a mais pelo mesmo tipo de cobertura.