A ANS lançou uma plataforma pública para consultar os códigos que operadoras, hospitais e laboratórios usam para identificar procedimentos, exames, medicamentos e materiais. A ferramenta é gratuita e aberta a qualquer pessoa — mas o ponto mais importante para quem tem plano de saúde é outro: você não precisa saber esses códigos, e nenhum estabelecimento pode exigir que você os informe.
O que a ANS disponibilizou
A Agência Nacional de Saúde Suplementar colocou no ar o Sistema de Gestão de Terminologias, uma plataforma para consulta às tabelas da TUSS — Terminologia Unificada da Saúde Suplementar.
Na prática, a TUSS é o "dicionário" do setor. Quando um hospital cobra um exame da operadora, ele não escreve o nome do exame por extenso: usa um código padronizado. Esse código é o que permite que sistemas diferentes conversem entre si sem ambiguidade — e é o que sustenta o Padrão TISS, usado na troca de informações entre operadoras e prestadores de serviço.
Antes, essa consulta ficava restrita a arquivos técnicos. Agora, qualquer pessoa pode pesquisar diretamente pelo navegador.
O que dá para consultar
As informações estão organizadas em tabelas numeradas. Você escolhe a tabela e usa o campo de busca para localizar o item.
| Tipo de item | Exemplo de volume |
|---|---|
| Procedimentos e exames | cerca de 6 mil registros (Tabela 22) |
| Órteses, próteses e materiais especiais (OPME) | mais de 1,3 milhão de registros (Tabela 19) |
| Medicamentos | tabela própria |
| Materiais | tabela própria |
| Diárias e taxas | tabela própria |
Além da consulta online, as tabelas podem ser baixadas em Excel, CSV e JSON. A ANS também abriu uma API, voltada a desenvolvedores e responsáveis por sistemas, para que as informações sejam atualizadas automaticamente — parte do objetivo da agência de integrar melhor seus dados aos sistemas do setor.
Você não precisa saber o código TUSS
Esse é o ponto que mais interessa a quem tem plano de saúde, e a ANS foi explícita: os códigos da TUSS existem para a comunicação entre operadoras e prestadores. O beneficiário não precisa conhecer nem informar código nenhum para marcar uma consulta, fazer um exame ou realizar um procedimento.
Importante: segundo a ANS, os estabelecimentos de saúde não podem exigir que o paciente forneça o código TUSS. Se isso acontecer com você, é uma exigência indevida — leve o pedido médico normalmente e, se necessário, registre o ocorrido junto à operadora ou à própria agência.
TUSS não é a mesma coisa que o Rol da ANS
Essa confusão é comum e pode gerar frustração. A própria ANS fez questão de separar os dois conceitos:
| TUSS | Rol de Procedimentos | |
|---|---|---|
| Para que serve | Padronizar nomes e códigos | Definir a cobertura obrigatória |
| Responde a pergunta | Como nomear e registrar isso? | O plano é obrigado a cobrir? |
| Natureza | Dicionário técnico | Norma de cobertura |
Ou seja: um item pode constar na TUSS apenas para efeito administrativo, sem fazer parte da cobertura obrigatória do Rol. Encontrar um procedimento na plataforma não significa, por si só, que o seu plano precisa pagar por ele.
Vale lembrar que, mesmo fora do Rol, a cobertura pode ser obrigatória quando cumpridos os cinco critérios fixados pelo STF em 2025 — prescrição do médico assistente, ausência de negativa da ANS, inexistência de alternativa no Rol, comprovação científica e registro na Anvisa.
Quando essa consulta pode ser útil para você
Ainda que o código não seja exigido do beneficiário, ele aparece em vários documentos que chegam à sua mão. Nessas situações, poder decifrá-lo ajuda:
- Conferir um pedido de reembolso. Notas e recibos de prestadores costumam trazer códigos. Consultar a descrição ajuda a checar se o que foi cobrado corresponde ao que foi realizado.
- Entender uma negativa de cobertura. Quando a operadora justifica a recusa citando um código, você consegue identificar exatamente a que procedimento ela se refere.
- Revisar uma conta hospitalar. Em internações, a conta pode listar dezenas de itens codificados, incluindo materiais e taxas.
- Comparar orçamentos. Dois prestadores podem descrever o mesmo procedimento de formas diferentes; o código padroniza a comparação.
Transparência é a base de uma boa escolha
A abertura dessas tabelas segue uma tendência saudável no setor: quanto mais informação disponível, menos assimetria entre quem contrata e quem vende. O mesmo raciocínio vale para o momento anterior — o da escolha do plano.
Antes de contratar, o que costuma pesar não é o código do procedimento, e sim o que está efetivamente coberto, qual é a rede credenciada na sua região, como funciona a coparticipação e quanto o plano custa por faixa etária. É exatamente esse comparativo que o multicálculo do SEO Doutor reúne em um único estudo, sem custo e sem compromisso.
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Fazer minha cotação agoraPerguntas frequentes
O que significa a sigla TUSS?
Terminologia Unificada da Saúde Suplementar. É o conjunto de tabelas que padroniza os nomes e códigos de procedimentos, exames, medicamentos, materiais e taxas usados entre operadoras e prestadores de serviços de saúde.
A consulta é gratuita?
Sim. A plataforma é pública e aberta, e as tabelas também podem ser baixadas em Excel, CSV e JSON sem custo.
O hospital pode me pedir o código TUSS?
Não. A ANS afirma que os estabelecimentos de saúde não podem exigir que o paciente forneça essa informação. O código é usado na comunicação entre o prestador e a operadora.
Se o procedimento está na TUSS, meu plano é obrigado a cobrir?
Não necessariamente. A TUSS apenas padroniza a nomenclatura. Quem define a cobertura obrigatória é o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS — e existem critérios específicos para os casos fora do Rol.
Conclusão
A nova plataforma da ANS não muda regras de cobertura, mas amplia o acesso à informação de um setor historicamente técnico e fechado. Para o beneficiário, dois pontos merecem ser guardados: o código TUSS nunca é sua responsabilidade, e estar na TUSS não é o mesmo que estar coberto pelo plano.
Na dúvida sobre o que o seu contrato garante, o caminho mais seguro continua sendo consultar o Rol da ANS, ler as condições do plano e — antes de contratar — comparar as opções disponíveis com calma.